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WikiLeaks pública Telegramas Sauditas

the saudi cables wikileaks

Mais de meio milhão de telegramas e outros documentos do Ministério Saudita de Relações Exteriores

Traduzido por  Coletivo de tradutores Vila Vudu

Hoje, 6a-feira, 19/6, às 13h GMT, WikiLeaks começou a publicar Os Telegramas Sauditas: mais de meio milhão de telegramas e outros documentos do Ministério Saudita de Relações Exteriores, onde se encontram comunicados secretos de várias embaixadas sauditas por todo o mundo. A publicação inclui relatórios “Top Secret” de outras instituições do Estado Saudita, inclusive do Ministério do Interior e dos Serviços Gerais de Inteligência do Reino. A quantidade massiva de dados também inclui grande número de comunicados por e-mail entre o Ministério de Relações Exteriores e entidades estrangeiras.

Os Telegramas Sauditas estão sendo e continuarão a ser publicados em pacotes de dezenas de milhares de documentos de cada vez, ao longo das próximas semanas. Hoje, WikiLeaks está divulgando cerca de 70 mil documentos do total, como primeiro pacote.

Para Julian Assange, editor de WikiLeaks,

“Os Telegramas Sauditas levantam o véu de uma ditadura cada vez mais errática e cheia de segredos que não só celebrou esse ano sua 100ª execução por decapitação, mas que já se converteu em ameaça para os vizinhos e para o próprio povo.”

O Reino da Arábia Saudita é ditadura hereditária, com território à beira do Golfo Persa. Apesar do portfólio infame do Reino, no campo dos direitos humanos, a Arábia Saudita permanece como aliada preferencial dos EUA e do Reino Unido no Oriente Médio, em boa medida por causa de suas reservas de petróleo, as maiores do mundo. O Reino frequentemente aparece na lista dos maiores produtores de petróleo, o que lhe dá poder desproporcional de influência nos negócios internacionais. A cada ano, os sauditas empurram bilhões de petrodólares para os bolsos de bancos britânicos e empresas norte-americanas fabricantes de armas. Ano passado, tornou-se o maior importador mundial de armas, eclipsando China, Índia e todos os países da Europa Ocidental somados.

Desde os anos de 1960, o Reino tem papel central na Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP, e no Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo (CCG), e domina o mercado global da caridade islamista.

Durante 40 anos o Ministério de Relações Exteriores do Reino foi comandado pelo mesmo homem: Saud al Faisal bin Abdulaziz, da família real saudita, e o ministro de Relações Exteriores que por mais tempo permaneceu no cargo, em todo o mundo. O fim do mandato de Saud al Faisal, que começou em 1975, coincidiu com a sucessão na casa real saudita, depois da morte do rei Abdullah em janeiro de 2015. O mandato de Saud al Faisal como ministro cobriu eventos chaves e questões de relações exteriores da Arábia Saudita desde a queda do Xá e a 2ª Crise do Petróleo até os ataques de 11 de setembro e a ininterrupta guerra por procuração contra o Irã.

Os Telegramas Sauditas oferecem informação importante sobre operações do Reino e como administrou suas alianças e consolidou a própria posição como potência regional no Oriente Médio, inclusive com suborno e pela cooptação de indivíduos e instituições chaves. Os telegramas também ilustram a estrutura burocrática altamente centralizada do Reino, onde até as mais mínimas questões são decididas pelos mais altos funcionários.

Desde o final de março de 2015 o Reino da Arábia Saudita está envolvido numa guerra contra o vizinho Iêmen. Em maio de 2015, o ministro de Relações Exteriores saudita admitiu que sua rede de computadores havia sido invadida. A responsabilidade pela invasão foi atribuída a um grupo que se autodenomina Exército Ciber Iemenita [ing. Yemeni Cyber Army]. O grupo depois distribuiu, por sites de partilha de documentos, uma valiosa “amostra” de conjuntos de documentos então obtidos; imediatamente aqueles sites passaram a ser alvo de ataques de censores.

O bloco completo de documentos que WikiLeaks agora começa a distribuir compreende milhares de vezes mais documentos do que então apareceram, e inclui centenas de páginas de documentos em árabe, escaneados. Num gigantesco esforço de investigação jornalística, WikiLeaks extraiu o texto daquelas imagens e os acrescentou aos demais, na nossa base de dados para pesquisa. O bloco também inclui dezenas de milhares de arquivos de texto e planilhas, além de mensagens de e-mail, que agora ficam disponíveis para serem pesquisados pela ferramenta de pesquisa de WikiLeaks.

Por coincidência, a distribuição ao público dos Telegramas Sauditas também marca dois outros eventos. Nessa 6ª-feira, 19/6, completam-se três anos desde que o fundador de WikiLeaks, Julian Assange entrou na Embaixada do Equador em Londres, à procura de asilo que o protegesse da perseguição que lhe movem os EUA, depois de ter sido impedido de sair do Reino Unido por mais de cinco anos, sem qualquer acusação formalizada contra ele.

Também hoje, a empresa Google revelou que foi obrigada a entregar ainda mais dados ao governo dos EUA, requisitados pela acusação no processo que os EUA movem contra colaboradores do WikiLeaks, acusados de espionagem, por causa da publicação de telegramas diplomáticos dos EUA.

Fonte: Tlaxcala, a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística
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