Radical Democracia

Todo poder emana do povo

Entrevista exclusiva com a cantora brasileira Verônica Ferriani

 
 

por Clarissa Armando dos Santos.

11 de Agosto 2015

Clarissa: O nosso blog trata muito a questão do empoderamento. Então, queremos saber como foi pra você começar a carreira de música, e em que momento você percebeu que poderia ser protagonista da sua vida e da sua carreira? Como é que foi o seu processo?

Ferriani: Eu canto desde criança, queria ser arquiteta, a princípio nem pensar em cantar, então esse passo de tomar para mim essa vida, no final da faculdade, começar a estudar música de começar a cantar essa foi a primeira rédea que eu tomei. Eu venho de um modelo em que meus pais gostam de tocar, se conheceram tocando violão, mas trabalham com outras coisas. E a segunda rédea foi quando deixei de tocar músicas de outros compositores pra compor minhas canções e falar um pouco das minhas da minha vida, nunca é literal, mas você tem coragem de ser sincera. Não que como intérprete você não seja, é um papel importantíssimo, a gente traz pra si também mas pra mim foi o segundo passo importante.

Clarissa: Que pessoas que ajudaram nesse caminho? 

Ferriani: Hoje em dia muito meus pais. Tenho apoio total deles. Tudo que no começo é um pouco difícil e mesmo que de certa forma, houve alguma imposição deles para terminar a faculdade. Tem aquele medo de ser músico. Mas ao longo da carreira, as pessoas que mais me apoiar foram meu Professor Leivo Miranda, a primeira pessoa a falar: “Cara, você tem que ser cantora”. Depois Marcelo Cabral, produtor dos meus dois discos, especialmente do último, no primeiro ele tava mais presente como músico, mas também foi uma pessoa importante. Amigas, como a Amélia, e pessoas que vão passando pela sua vida e dando uma injeção de ânimo para que você seja quem você seja o que na verdade deseja, essa é a busca. Poderia ser arquiteta ou outra coisa. Eu descobrir isso em mim. Acho que veio muito até de uma experiência amorosa, eu lembro de eu sair meio machucada isso lá atrás. As histórias de amor sempre mexeram muito comigo e sempre me empurraram muito pra frente. Independente de quem terminou, ou o quanto eu sofri, eles sempre me botam pra frente. Fiz um disco inteiro assim.

Clarissa: Como foi a chegada no Carioca da Gema, no Ó do Borogodó?

Ferriani: Comecei com convite do Chico Saraiva, indicada para uma professora de canto. Ele tinha um disco com gravações de diversas cantoras – Céu Mar, Ana Luiza, Ná Ozetti, etc. – que já tinha uma carreira e precisava de uma pessoa no início de carreira que tivesse disponibilidade para atuar com ele, cantar todas as canções do disco e fazer parte da banda dele. Ele tinha acabado de ganhar o prêmio Visa de melhor compositor do ano em 2003. Depois a Beth Carvalho e a Roberta Valente (percussionista de São Paulo) e as duas foram que me colocaram mais pra frente pra frente. Me colocaram pra dentro do Traço de Neon e eu abria e fechava os show da Velha Guarda.

Clarissa: Quais os desafios mais marcantes que teve vocês teve que superar para ter a carreira?

Ferriani: Acho que o primeiro desafio é o financeiro porque já estava trabalhando como arquiteta, como estagiária. Eu abandonei o meu o trabalho para estudar com música, começar uma carreira. Então você regride financeiramente. Para isso contei pro meu pai, graças a Deus, talvez senão não pudesse. O segundo desafio foram composições porque eu já tinha uma carreira já era conhecida tinha música inteira com música dos outros. Esse passo foi um passo corajoso, uma direção que foi positiva e de forma alguma tolheu o que eu já tinha construído como intérprete, foi uma soma e um desafio. Mas foi um desafio porque você cantar Paulinho da Viola e depois cantar suas músicas, seu público estranha e o critério fica sendo muito alto. Então foi um processo de compreensão dessa grandeza que é você tem um trabalho artístico próprio, crescer como artista, acreditar nas suas histórias, na sua forma de contar.

Clarissa: O que te inspira e motiva?

Ferriani: A música em si em primeiro lugar. Já tive muitas inspirações diferentes. Hoje em dia cantar é um pouco uma missão, tem isso mesmo Acho que ninguém começaria a cantar se não desse tanto prazer. Porque é uma carreira muito difícil no começo. Então se você não tivesse tanto prazer em fazer aquilo, se não fosse algo muito natural. A própria música é a inspiração. É claro que a gente tem inspirações em referências musicais, João Nogueira, Elis Regina. Aquela geração toda setentona que fez coisas brilhantes, uma música brasileira conhecida internacionalmente e respeitada. E meus pais, realmente, essa vontade de construir alguma coisa como eles construíram dentro da carreira deles. São várias inspirações.

Clarissa: Planos de futuro?

Ferriani: Pretendo gravar o próximo disco que junte as ideias do autoral, que evolua a partir de onde eu cheguei com esse disco, tanto nas composições quanto na forma como isso chegou às pessoas. Meu plano principal é conseguir chegar a mais pessoas com as minhas canções.


Clarissa: Falando de protagonismo, você recomenda algo para outras pessoas que queiram começar a carreira música ou no seu sonho próprio?

Ferriani: No meu caso, eu adiei o inevitável. Então recomendaria em primeiro lugar que as pessoas não adiem o inevitável. Se existe uma certeza em relação à necessidade de mudança, ela precisa ser imediata. Você ganha mais com isso, sofre menos, remói menos. Porque a vida passa muito rápido. Qualquer mudança requer tempo, então não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje. Recomendação: acho que não tenha medo de ser quem você é. As carreiras que dão mais certo em qualquer área são as que as pessoas podem se conseguem se respeitar. Porque mesmo quando elas não respeitam e chegam a algum lugar, é necessário cortar e voltar atrás pra resolver o que não foi resolvido antes. Então quanto mais verdadeira for essa história, melhor você vai estar consigo mesma e a vida vai passar mais suave.

Que delícia, um prazer falar contigo, Clarissa!

Ouça aqui: https://soundcloud.com/veronicaferriani  (o disco de Verônica Ferriani, “Porque a Boca Fala aquilo do que o Coração tá Cheio” está disponível para download gratuito em seu site oficial) 


Saiba mais:  http://veronicaferriani.com/

Nascida em Ribeirão Preto (SP), aos 8 anos de idade Verônica Ferriani ganhou seu primeiro violão. Aos 17 anos, mudou-se para São Paulo para estudar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ao final da faculdade, porém, tendo voltado a estudar música, redescobriu-se numa intensa vontade de cantar.

Subiu ao palco pela primeira vez em 4 de dezembro de 2003, no teatro do SESC Pompeia, em São Paulo, a convite do violonista e compositor Chico Saraiva, vencedor do Prêmio Visa 2003. Com ele, apresentou-se por dois anos em diversos projetos pelo Brasil. Paralelamente, dava seus primeiros passos em rodas de samba em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em temporada de seis meses no Traço de União (SP, 2004), abriu shows de artistas da Velha Guarda, como Monarco, Nélson Sargento, Riachão, Tia Surica, Tia Doca, Noca da Portela, Seu Jair do Cavaco, Walter Alfaiate, Wilson Moreira, Moacyr Luz, Luiz Carlos da Vila, Wilson das Neves e Billy Blanco, assistindo de perto e passando a integrar, junto à nova geração, o movimento de valorização e de renovação do samba ocorrido na última década. Naquele ano, a casa de shows ganhou, da Revista Veja, o prêmio de melhor casa de música ao vivo de SP.

Entre 2005 e 2008, conquistou admiradores em longas temporadas no Ó do Borogodó (Vila Madalena – SP), com Áurea Martins no Carioca da Gema (Lapa – RJ) e com a Gafieira São Paulo no Tom Jazz (Higienópolis – SP), o que a levou a ser convidada, ainda antes do lançamento de seu primeiro álbum, a participar do programa Som Brasil – Ivan Lins (TV Globo, 2007) e a se apresentar no Palco das Meninas, da Virada Cultural 2008, em show considerado um dos quatro melhores da Virada em matéria do crítico Lauro Lisboa Garcia no Estadão.

http://veronicaferriani.com/2012/biografia/

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Publicado às 16 de novembro de 2015 por em Sem categoria e marcado , , .
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